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Prevenção de distúrbios alimentares começa em casa
 
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03/08/2017

Prevenção de distúrbios alimentares começa em casa

Doença começa na infância e adolescência, mas pode ser evitada se houver diálogo em família

Os transtornos alimentares são uma "família" de distúrbios ou transtornos bastante complexa e diversificada. Normalmente temos noção de distúrbios alimentares como a anorexia e a obesidade. Mas existem outros distúrbios que apresentam início bastante precoce, já nos primeiros dias de nascido. Então, antes de falarmos em sua prevenção acredito que precisamos mencionar alguns desses transtornos alimentares menos conhecidos.

Um deles é o transtorno alimentar seletivo (TAS), em que os portadores têm dificuldade em comer certos alimentos com base na textura ou aroma. Os alimentos que os portadores deste distúrbio conseguem comer podem ser limitados a certos tipos de comida ou até mesmo a marcas específicas de alimentos. Em alguns casos, os indivíduos afetados chegam até a excluir grupos inteiros de alimentos, como frutas ou vegetais. Algumas vezes, podem recusar os alimentos pela cor. Ou ainda podem preferir somente alimentos bem quentes ou bem gelados, bem crocantes ou bem macios, ou ainda alimentos sem nenhum molho.

A maioria dos indivíduos possuem um corpo saudável ou um peso normal. Não há nenhum sintoma externo e aparente associado ao transtorno alimentar seletivo. Isso quer dizer que não é possível identificar um indivíduo afetado por este transtorno através da sua aparência. As causas ainda não são conhecidas pelos cientistas, mas há hipóteses de componentes biológicos e psicológicos na etiologia desse transtorno. A determinação das causas do transtorno alimentar seletivo, porém, tem sido difícil devido à falta de uma definição concreta e de critérios para o diagnóstico. Entretanto, causas prováveis para foram propostas:

- Existência de alguma relação entre os portadores de transtorno seletivo alimentar e transtorno obsessivo-compulsivo
- Existência de uma relação também com os transtornos de ansiedade (fobias alimentares que causam uma grande ansiedade quando uma pessoa é apresentada a alimentos novos)
- TAS e o Superpaladar: alguns estudos levantam que os indivíduos afetados pelo TAS poderiam ter um paladar muito aguçado, o que provoca essa rejeição a sabores mais fortes.

Fiz estas colocações iniciais porque recebo no consultório pais com filhos que apresentam transtorno seletivo alimentar em verdadeiro estado de "desespero". Como não entendem que é um distúrbio, e não um capricho ou uma forma de chamar atenção, geralmente adotam métodos "educativos" que na realidade são catastróficos: obrigam a criança a comer, impõem punições e o "horário da comida" se torna uma verdadeira guerra para todos, e a criança ou adolescente simplesmente não sabe explicar o porque não consegue comer determinados alimentos. Também temos visto diagnósticos errados por parte de médicos, psicólogos e até especialistas em distúrbios alimentares quanto à orientação correta em relação ao paciente.

Prevenção de distúrbios alimentares

Com isso explicado, fica mais fácil explicar em prevenção deste tipo de distúrbio. Manter uma alimentação saudável pode ser um grande desafio no mundo atual. A correria do dia-a-dia, a pressão da mídia da indústria alimentícia induza a maus hábitos alimentares impedem a criatividade e a variedade na hora de preparar e escolher os alimentos. Os hábitos do cotidiano mudaram de maneira significativa. O almoço em família praticamente desapareceu, o jantar não reúne mais a família em torno da mesa, mas sim da TV ou cada um em seu computador acompanhada de fartas calorias vazias.

As crianças atualmente se alimentam em frente à TV e comem excessivamente o que não deveriam comer: o refrigerante substituiu o suco e o leite, os lanches tomaram o lugar das refeições, mais e mais pacotes de novos lançamentos de salgadinhos e guloseimas ilustrados com personagens da TV, sorvetes. Temos uma obesidade infantil crescente e ao mesmo tempo crianças obesas, mas ironicamente desnutridas, ou seja, carentes de micronutrientes como vitaminas e minerais.

Entre as inúmeras causas que produzem maus hábitos alimentares podemos citar:

- A correria do mundo atual associada a falta de tempo para comer, ocasionando a preferência por fast food em vez de uma alimentação balanceada
- A frequente utilização de produtos industrializados, preferência esta que tem como consequência um apetite desordenado
- A má mastigação e horários irregulares proporcionando má digestão e, consequentemente, problemas no sistema digestivo
- A frequente utilização de produtos industrializados e produtos com elevada quantidade de sal que contribuem para o desenvolvimento da hipertensão arterial e aditivos químicos que, quando utilizados, podem desencadear tumores malignos
- A indisciplina alimentar, que contribui para aumento do consumo exagerado de alimentos com excesso de gordura, especialmente a saturada, ocasionando aumento do colesterol no sangue.

E evitar todos esses hábitos é uma das formas de prevenir alguns dos transtornos alimentares mais comuns. Nesse ponto, o exemplo dos pais é fundamental em vários aspectos: em primeiro lugar praticando uma alimentação saudável. Naturalmente, compreendemos que muitos pais não podem fazer todas as refeições com seus filhos, mas devem orientá-los sobre uma alimentação saudável, sobre os perigos do excesso de conservantes, de sódio, de corantes e outros itens em alimentos industrializados.

Ainda é de fundamental importância a compreensão se algum familiar apresentar algum tipo de problema alimentar: seja um distúrbio alimentar, uma intolerância, uma seletividade. Tentar se informar, compreender e buscar ajuda. Forçar a alimentação a qualquer custo devido à própria angústia em ver o filho(a) não se alimentar só agrava o problema.

Como conversar com os filhos sobre o assunto?

A abordagem familiar que recomendo será sempre o diálogo compreensivo, embasado em muito afeto e carinho. Naturalmente se o transtorno se agravar, haverá a necessidade da procura de um especialista ou de um grupo de especialistas. É importante salientar que é fundamental que o adolescente tenha uma boa relação com os profissionais e com o tratamento proposto, porque nem sempre isto ocorre.

Os sinais são de distúrbios alimentares muito variados, pois dependem do tipo de distúrbio apresentado. Vou abordar resumidamente os distúrbios patológicos mais comuns.

No caso de um dos distúrbios mais preocupantes é a anorexia nervosa, que pode apresentar os seguintes sinais:

Emagrecimento intenso
Cuidado excessivos com a alimentação
Desculpas para não comer ou comer sozinha(o)
Isolamento, alterações de humor e agressividade
Excesso de exercício físico
Vômitos e uso de laxantes
Atitude demasiado crítica quanto à sua imagem
Perda de apetite.

Já a bulimia é outro transtorno comum, em que a pessoa tem episódios (pelo menos duas vezes por semana) de comer desenfreadamente em quantidade muito superior ao de uma pessoa normal no mesmo período. Depois desses episódios, são empregados vários métodos que visam compensar o ganho calórico, como técnicas purgativas, exercícios compensatórios e longos períodos de jejum.

A vigorexia é uma doença em que ocorre a obsessão por um corpo musculoso e atraente, quase sempre em homens. Envolve um treinamento muscular obsessivo e alimentação voltada para a manutenção desse corpo com uso frequente de anabolizantes. É classificada junto com os transtornos alimentares por envolver um disformismo corporal reforçado pelo culto a imagem.

Há também o transtorno de imagem corporal ou transtorno dismórfico corportal (TDC), em que a pessoa apresenta uma preocupação obsessiva com algum defeito corporal imaginado ou de mínima realidade, que afeta a aparência física. O termo dismorfia é uma palavra grega que significa ?feiúra?, especialmente na face. Com maior frequência esta patologia ocorre nos adolescentes de ambos os sexos, mas pode ocorrer também em adultos, principalmente nas mulheres. O transtorno de imagem corporal é constituído por pensamentos com características obsessivas, resistentes a todas as demonstrações objetivas em contrário (como a opinião das demais pessoas, espelhos, balanças, fotos etc.), além de serem intrusivos à consciência e em geral acompanhados por rituais, características que são, também, muito semelhantes a pensamentos obsessivos.

Para os familiares, no entanto, não existe transtorno fácil ou difícil, pois em todos eles haverá a necessidade do envolvimento familiar em sentido construtivo: compreensão, apoio, acolhimento, incentivo. Não podemos esquecer que uma peça fundamental do envolvimento familiar que é o exemplo. O exemplo de uma alimentação saudável por parte dos pais exige mudança de hábitos e de costumes, e isto nem sempre é fácil. Não podemos cobrar ou esperar algo que não praticamos. O exemplo tem que vir de casa!


Autor: Dr. Persio Ribeiro Gomes de Deus
Fonte: R7

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