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Endometriose – A doença da mulher moderna
 
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14/07/2018

Endometriose – A doença da mulher moderna

Artigo do ginecologista, Dr. João Oscar de Almeida Falcão Junior

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que no Brasil 15% das mulheres ou sete milhões sofrem com a endometriose.  A doença – que atinge uma a cada dez, com idades entre 15 e 45 anos – afeta 176 milhões de mulheres no mundo, sendo responsável pela metade dos casos de pacientes que não conseguem engravidar.
 
De caráter crônico e ainda sem causas definidas, a endometriose vem crescendo em números de casos na população feminina, sendo classificada como a doença da mulher moderna. O endométrio é a parte interna do útero que cresce todo o mês à espera de uma gravidez e quando isso não acontece, esse local descama e a mulher menstrua. Se o endométrio está dentro da cavidade, podemos identificar uma situação normal, mas se ele sai da cavidade uterina e infiltra em outros locais do corpo feminino, como as trompas, ovário, intestino e bexiga, isso pode ser nominado como endometriose. 
 
Dentre seus principais sintomas estão as cólicas menstruais intensas; fluxo menstrual exacerbado ou irregular; dor no fundo da vagina, na bexiga ao urinar, e durante os movimentos intestinais; desconforto durante a relação sexual; inchaço; náuseas; vômito; dificuldade para engravidar ou a infertilidade; e entre outros. 
 
Percebo, que muitas mulheres ao serem diagnosticadas com a doença ficam perdidas na procura por tratamento, pois a doença atinge várias partes da região pélvica e se comporta de maneira diferente em cada paciente, assim se torna necessário um atendimento multidisciplinar e especializado. Por mais que o ginecologista seja a referência da mulher para as questões de saúde, em especial para a endometriose, é necessário muitas vezes uma abordagem que vai exigir a atuação de um proctologista, urologista ou de outros profissionais.  
 
Os sintomas da dor nas mulheres com endometriose podem se manifestar de variadas maneiras e intensidades. Existem pacientes que tem a endometriose mínima e com sintomas intensos, apresentando desconforto nas relações sexuais e dificuldade para engravidar, mas ao mesmo tempo, também existem pacientes que possuem várias lesões da endometriose, são assintomáticas, conseguem engravidar e ter uma vida completamente normal. 
 
A doença pode ser tratada de forma medicamentosa – por meio do uso de analgésicos, anti-inflamatórios, progestágenos, pílulas de baixa dose, análogos de GNRH ou DIU Mirena – ou cirúrgico de forma aberta, videolaparoscópica ou robótica. A cirurgia consiste basicamente na retirada das lesões, e isso pode implicar na retirada parcial ou integral de um órgão.
 
 A endometriose pode interferir no processo de engravidar, mas quando a gravidez acontece, a gestação tende a evoluir de forma positiva. Quanto ao avanço da doença neste período, podem existir exceções, mas não é muito comum, pois a mulher grávida produz muita progesterona, uma substância que naturalmente bloqueia o endométrio. Ainda que apresente o comportamento infiltrativo, a endometriose é benigna e não tem possibilidade de se desenvolver como um tumor maligno. O diagnóstico precoce da doença aumenta as chances de se evitar as complicações do desenvolvimento dessa infiltração.

João Oscar de Almeida Falcão Junior, ginecologista e coordenador do Núcleo Integrado de Pesquisa e Tratamento da Endometriose do Hospital Felício Rocho.


Autor: Dr. João Oscar de Almeida Falcão Junior
Fonte: Naves Coelho

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