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Recidiva de peso após bariátrica é preocupante
 
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07/11/2018

Recidiva de peso após bariátrica é preocupante

Artigo do médico especialista em cirurgia e endoscopia bariátrica e gastroenterologia, Henrique Eloy

Decepção, sentimento de impotência, desespero, descrédito em si mesmo e baixa autoestima. Esses são alguns dos sintomas claros de pacientes que após submetidos à uma cirurgia bariátrica, observam que seu peso voltou a aumentar descontroladamente ocasionando outra vez o quadro da obesidade meses após o procedimento. E por incrível que pareça, esse quadro é comum.
 
Tratamos na medicina esse reganho de peso como “recidiva”. Acreditamos que sua principal causa esteja ligada ao comportamento após o pós-operatório. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a deficiência no tratamento é quando o paciente recupera 50% ou mais do peso perdido ou teve recidiva de 20%. 
 
Algumas pesquisas apontam o Brasil como o segundo no ranking em número de cirurgias bariátricas, perdemos apenas para os Estados Unidos. Também é curioso dizer que as mulheres são as dominantes neste tipo de operação. Cerca de 76% do total.  Uma das principais causas da recidiva são dos pacientes que abusam na ingestão do álcool. Isso acontece devido à mudança na absorção de álcool pelo organismo após a cirurgia. Com a alteração no aparelho digestivo, a substância passa direto para o intestino e é absorvido mais rapidamente, além de demorar mais tempo para ser eliminada. 
 
Ressalto que, além de bebidas alcoólicas, fica o alerta para outros produtos de aspecto pastoso e gelatinoso como o leite condensado, o milk shake, refrigerantes, energéticos, sucos engarrafados, iogurtes, doces, e outros industrializados. Todos esses alimentos dispõem de um teor calórico bem elevado a ponto de trazer de volta todos os quilos perdidos durante o tratamento pós- cirúrgico. Obviamente, fica a dica para evitar esse consumo.
 
E se a dúvida é sobre como alcançar a forma perfeita após a cirurgia, digo que paciência, determinação e respeito às dietas são necessários. O bom resultado vai depender da mudança dos hábitos de vida do paciente. Se ele aprendeu a se alimentar corretamente e se está praticando alguma atividade física. Estes e outros fatores comportamentais e biológicos ajudam a evitar a tão temida recidiva de peso.
 
O sucesso na perda de peso no pós-operatório envolve fatores mecânicos tais como o tamanho da redução da capacidade gástrica e do diâmetro da saída do estômago, assim como também diversos fatores hormonais. Tudo isso alinhado à reeducação alimentar, ao consumo de alimentos mais saudáveis e a prática de esportes.  Cada caso deve ser individualizado e o diagnóstico jamais deve ser comparado ao de outra pessoa. 
 
Para alguns, existe ainda a possibilidade de se realizar suturas por endoscopia com o intuito de diminuir ainda mais o tamanho do estômago remanescente ou de sua saída para o intestino. Efetuar uma segunda operação deve ser sempre muito avaliado pelo corpo clínico, pois os riscos operatórios são bem maiores que o da primeira cirurgia e os resultados são insatisfatórios.

Autor: Henrique Eloy
Fonte: Naves Coelho

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