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Inverno aumenta circulação de vírus respiratórios e exige atenção redobrada à saúde no Rio Grande do Sul
 
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20/06/2026

Inverno aumenta circulação de vírus respiratórios e exige atenção redobrada à saúde no Rio Grande do Sul

Chegada da estação mais fria do ano favorece a disseminação de vírus respiratórios e pode agravar doenças crônicas, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com baixa imunidade

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as infecções respiratórias estão entre as principais causas de hospitalização e mortalidade em populações vulneráveis, especialmente idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. Com a chegada oficial do inverno no próximo dia 21 de junho, o Rio Grande do Sul entra em um período marcado não apenas pelas baixas temperaturas, mas também pelo aumento da circulação de vírus respiratórios e da procura por atendimento médico.

A combinação entre frio intenso, permanência em ambientes fechados e maior transmissão de vírus cria um cenário que exige atenção redobrada da população e dos serviços de saúde. No Hospital Ernesto Dornelles (HED), em Porto Alegre, o aumento da demanda por atendimentos relacionados a síndromes respiratórias e à descompensação de doenças crônicas faz parte da rotina dos meses mais frios do ano.

Segundo a pneumologista Dra. Juliana Cardozo Fernandes, coordenadora da Unidade de Cuidados Respiratórios (UCR) e Gerente de Governança Clínica do Hospital Ernesto Dornelles, os casos mais frequentes envolvem pacientes com doenças pré-existentes que acabam sofrendo uma piora do quadro em razão das infecções respiratórias típicas da estação.

"A grande maioria dos pacientes que procuram as emergências hospitalares são pessoas com condições crônicas respiratórias ou enfermidades de outras naturezas, como diabetes e cardiopatia. Por conta da maior circulação de vírus e infecções nesta época, essas doenças acabam descompensando e gerando situações de maior risco à vida", explica.

A especialista destaca que sintomas como falta de ar intensa, febre persistente ou mudanças de comportamento em idosos costumam gerar preocupação entre pacientes e familiares, motivando a busca por atendimento de urgência.

"Muitas vezes o paciente tem receio de permanecer em casa porque apresenta falta de ar importante, febre persistente ou porque um idoso fica mais sonolento e prostrado. Isso gera insegurança e leva a família a procurar uma emergência hospitalar", afirma. 

Atenção aos sintomas

Durante o inverno, quadros de Influenza, Covid-19 e outras síndromes respiratórias virais tornam-se mais frequentes. Neste cenário, a médica alerta para sinais que merecem atenção.

"Febre alta persistente, dores intensas no corpo, dor de cabeça, tosse, dor de garganta, secreção nas vias respiratórias e falta de ar podem indicar uma doença mais limitante, capaz de comprometer as atividades diárias e exigir avaliação médica", observa.

Segundo Juliana, diante de sintomas compatíveis, a realização de testes para Influenza e Covid-19 é uma ferramenta importante para o diagnóstico adequado e a definição da conduta terapêutica.

"Para quem apresenta sintomas sugestivos, o teste é fundamental para identificar se o quadro está relacionado à Influenza ou à Covid-19. Também é importante adotar medidas simples, como repouso, hidratação adequada e o uso das medicações orientadas pelo médico", reforça.

A pneumologista lembra, porém, que nem todo desconforto respiratório representa um quadro grave. Resfriados comuns e crises de rinite alérgica também são frequentes nesta época do ano e podem apresentar sintomas semelhantes. 

Momento correto para realizar os testes

Outro ponto importante destacado pela especialista é o momento adequado para a realização dos exames.

"Hoje existem testes capazes de identificar diferentes vírus respiratórios, permitindo ao médico uma boa rastreabilidade inicial da síndrome viral. Mas é importante respeitar o tempo adequado. Muitas vezes o paciente apresenta os primeiros sintomas pela manhã e já quer realizar o exame. O ideal é aguardar entre 48 e 72 horas para obter um melhor aproveitamento diagnóstico", explica.

De acordo com a pneumologista, a intensidade dos sintomas também deve orientar o período de afastamento das atividades.

"A gravidade do quadro é o que vai determinar a necessidade de repouso e o tempo de afastamento das atividades sociais e profissionais", acrescenta. 

Vacinação continua sendo a principal forma de prevenção

Embora a campanha nacional de vacinação contra a gripe para os grupos prioritários tenha sido oficialmente encerrada, a Secretaria Estadual da Saúde reforça a importância da manutenção de estoques estratégicos para garantir a imunização contínua, especialmente entre crianças, idosos e gestantes.

A medida busca ampliar a cobertura vacinal, reduzir hospitalizações e óbitos relacionados à Influenza e minimizar os impactos sobre os serviços de saúde durante os meses de maior circulação viral.

A ampliação da vacinação para a população em geral permanece sob responsabilidade dos municípios, desde que haja garantia de doses suficientes para atender os grupos considerados mais vulneráveis.

Para a pneumologista do Hospital Ernesto Dornelles, a vacinação continua sendo a principal ferramenta para evitar casos graves da doença.

"No geral, a vacina é o que muda a trajetória desse desfecho. Hoje temos uma distribuição cada vez mais precoce das doses porque sabemos que os vírus começam a circular já a partir de abril. Infelizmente, ainda observamos uma adesão menor do que a desejada", alerta. 

Grupos de maior risco

Crianças pequenas, idosos e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos que demandam maior atenção durante o inverno.

"A criança está construindo sua imunidade e depende muito do calendário vacinal, especialmente nos primeiros meses de vida. Já os idosos enfrentam uma redução natural da resposta imunológica em razão do envelhecimento. Por isso, esses são os grupos que mais preocupam", destaca.

Pacientes em tratamento oncológico, pessoas com doenças inflamatórias crônicas ou que utilizam medicamentos imunossupressores também apresentam maior vulnerabilidade às infecções respiratórias.

"Nessas situações, o uso de máscara em determinados ambientes e a intensificação do uso de álcool gel para higiene das mãos, pode ser uma estratégia importante de proteção", orienta.

A especialista também reforça que a transmissão de vírus pode ocorrer tanto pelo ar quanto pelo contato com superfícies contaminadas.

"A gotícula pode permanecer em maçanetas, mesas, teclados e outros objetos de uso coletivo. Por isso, além da vacinação, medidas como higiene frequente das mãos, ventilação dos ambientes e uso de máscara por pessoas mais vulneráveis continuam sendo ferramentas importantes de proteção", conclui. 

Cuidados respiratórios no HED

Para atender com ainda mais eficiência os pacientes que necessitam de acompanhamento especializado, o Hospital Ernesto Dornelles conta com a Unidade de Cuidados Respiratórios (UCR), serviço dedicado ao tratamento de doenças pulmonares agudas e crônicas.

Localizada no 9º andar da instituição, a unidade reúne infraestrutura especializada, com recursos de oxigenoterapia e ventilação não invasiva, além de uma equipe multidisciplinar formada por pneumologistas, fisioterapeutas, profissionais de enfermagem, farmácia clínica, nutrição, nutrologia e psicologia.

O modelo assistencial prevê monitoramento contínuo, suporte nutricional individualizado, acompanhamento psicológico para pacientes e familiares e fisioterapia diária voltada à reabilitação respiratória e motora. 

Sobre o Hospital Ernesto Dornelles

Fundado em 1962, o Hospital Ernesto Dornelles é uma das principais instituições de saúde do Rio Grande do Sul. Com 220 leitos e 33 especialidades médicas, destaca-se pela tradição em assistência, ensino, pesquisa e inovação. Referência em diversas áreas da medicina, mantém o compromisso com a qualidade assistencial, a segurança do paciente e a excelência no cuidado.


Autor: Redação
Fonte: DW Comunicação
Autor da Foto: Divulgação

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