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Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento aponta condição após extubação que acomete cerca de um terço dos pacientes críticos e reforça a importância da reabilitação

Médicos do Hospital Moinhos de Vento assinam um estudo nacional que chama a atenção para uma consequência ainda pouco reconhecida da internação em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI): a disfagia orofaríngea persistente em pacientes submetidos à ventilação mecânica invasiva. A pesquisa, desenvolvida em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), publicada na revista científica internacional Journal of Critical Care, identificou que cerca de 24% dos pacientes apresentaram dificuldade de deglutição três meses após a alta da UTI, com impacto direto na qualidade de vida.

O estudo analisou dados em dez UTIs clínico-cirúrgicas no Brasil e identificou fatores associados ao problema, como maior gravidade clínica na admissão, presença de síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), maior tempo em ventilação mecânica e aspectos sociodemográficos. Os resultados reforçam que a recuperação do paciente crítico vai além da sobrevivência e exige atenção às sequelas funcionais no período pós-alta.

Para o chefe do Serviço de Medicina Interna do Hospital Moinhos de Vento, Regis Goulart Rosa, os achados trazem um direcionamento importante para a prática assistencial. "Este estudo amplia a compreensão sobre o que acontece com o paciente após a UTI e mostra que a disfagia não é um evento isolado. Ela pode ser antecipada, identificada e manejada de forma mais efetiva quando há integração entre a equipe multiprofissional e o acompanhamento após a alta", afirma.

Segundo o médico, algumas estratégias podem contribuir para reduzir o risco e o impacto da disfagia, como o uso criterioso da ventilação mecânica, a redução do tempo de intubação sempre que clinicamente possível, a avaliação precoce da deglutição, além da atuação conjunta de médicos, fonoaudiólogos, nutricionistas e equipes de reabilitação. "O cuidado começa ainda dentro da UTI e se estende após a alta, com monitoramento ativo dos pacientes mais vulneráveis", destaca Rosa.

O Hospital Moinhos de Vento reforça que a produção científica e a incorporação de evidências à prática clínica são pilares para qualificar a assistência. "Ao identificar fatores de risco e consequências funcionais da internação crítica, conseguimos estruturar protocolos mais completos, que olham para o paciente de forma integral e contínua", conclui o especialista.

O estudo contribui para o avanço do cuidado centrado no paciente e reforça a importância de estratégias de prevenção, reabilitação e acompanhamento no período pós-UTI, com foco na recuperação funcional e na qualidade de vida. 


Autor: Redação
Fonte: Moinhos Critério

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