O Rio Grande do Sul agora tem um novo instituto cultural e social. Lançado oficialmente nesta quarta-feira (15), o Banrisul Cultural surge como uma instituição propositiva, capaz de desenvolver iniciativas que aproximem as pessoas, gerando oportunidades e contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, criativa e sensível. Com investimento inicial de R$ 27 milhões, o instituto deverá impactar mais de 1 milhão de pessoas em todo o Estado, somente neste primeiro ano, por meio de programas e projetos inéditos.
Durante o evento de lançamento, o governador Eduardo Leite destacou que o investimento em cultura está diretamente ligado à transformação social e ao desenvolvimento do Estado. "A cultura tem um papel decisivo na vida das pessoas. Ela promove inclusão, gera oportunidades e também movimenta a economia. Por isso, tratamos a cultura como política pública estruturante, integrada a áreas como educação, desenvolvimento social e segurança, especialmente na prevenção da violência. É um investimento que chega às pessoas e transforma realidades", afirmou.
A iniciativa reforça o compromisso histórico do Banrisul com os gaúchos e marca uma nova etapa na trajetória do banco, ampliando a relação com a cultura, a educação e o desenvolvimento social. "Todos os aportes já feitos pelo banco, com patrocínios e editais, seguirão acontecendo. Mas agora, com o Banrisul Cultural, passamos também a criar e executar nossos próprios programas e projetos, atuando como um agente que fortalece comunidades ao promover a cultura, a educação e a inclusão", explica Fernando Lemos, presidente do Banrisul e do Banrisul Cultural.
Com atuação em diferentes regiões do Estado, o Banrisul Cultural ocupará espaços já existentes, como escolas, teatros e bibliotecas, promovendo a valorização e o desenvolvimento cultural do Rio Grande do Sul por meio de ações e atividades que respeitem a memória e o patrimônio, democratizem o acesso à arte e à cultura, incentivem a pluralidade de linguagens artísticas e promovam a inclusão. "Nosso compromisso é ampliar o acesso à cultura para além dos circuitos tradicionais, chegando àqueles que muitas vezes não se veem contemplados. A missão do Banrisul Cultural é valorizar o patrimônio cultural, levar arte, promover cidadania, estimular a criatividade, contribuindo assim para uma sociedade mais justa e inclusiva", destaca a diretora-geral Beatriz Araujo.
Ação contínua e duradoura
Um dos destaques da atuação do Banrisul Cultural é a perenidade, não só do instituto, mas também das suas ações. Para garantir sua sustentabilidade, foi criado um fundo patrimonial que garante continuidade, tendo seu capital principal investido e preservado, e apenas os rendimentos utilizados para o financiamento das atividades do instituto – tudo de maneira transparente e responsável.
As iniciativas desenvolvidas pelo instituto têm a preocupação de gerar impacto duradouro na sociedade, com a realização de atividades contínuas, capazes de ampliar oportunidades e estimular a transformação social. Para começar, foram criados cinco programas estruturantes, que terão longa duração, sendo renovados e ampliados após o cumprimento de suas metas; além de três projetos pontuais. Realizadas a partir de maio, as iniciativas incluem atividades de formação, sensibilização para as artes, incentivo à leitura, circulação cultural, educação financeira, cuidados com a mulher e preservação do patrimônio histórico.
Programas
Entre os destaques está o Banrisul Entre Artes, realizado em parceria com a Fundação Bienal do Mercosul. O programa propõe uma escola aberta, descentralizada e em movimento, oferecendo atividades extracurriculares de artes para mais de 4 mil estudantes da rede pública da Região Metropolitana de Porto Alegre, nas áreas de maior vulnerabilidade social. As oficinas, pedagogicamente orientadas, serão ministradas por artistas/professores durante todo o ano, com foco no desenvolvimento do senso crítico e da sensibilização artística. A seleção desses profissionais ocorrerá em agosto.
Outra novidade é o Clube do Livro Banrisul 60+, desenvolvido com participação da Associação Acervo Literário Erico Verissimo (ALEV), para incentivar o convívio na terceira idade e ampliar o acesso à literatura no Estado. A iniciativa atenderá 2 mil participantes com o envio mensal de livros e realizará encontros virtuais mais amplos, abertos a todos os públicos, conduzidos por importantes convidados da área literária, a partir de maio.
Já o Cultura que Circula levará um ônibus-palco a municípios de pequeno porte, promovendo atividades de cultura, cidadania e educação financeira em praças públicas. Realizado em parceria com a Fundação Marcopolo, a atividade deve atingir, a partir de agosto, cerca de 30 mil pessoas em 15 cidades gaúchas com populações de até 50 mil habitantes.
O instituto também investirá na mediação e no intercâmbio cultural por meio do programa Banrisul Mobilidade e Conexões. A iniciativa estima a concessão de 200 bolsas e a criação de uma rede de parcerias institucionais para ampliar o acesso de estudantes, artistas e profissionais da cultura atuantes no Rio Grande do Sul a oportunidades em outras regiões do Brasil e também no exterior. O lançamento está previsto para junho.
Haverá ainda a criação do Arquivo das Artes, uma plataforma digital voltada ao registro, preservação e difusão da produção artística gaúcha. O programa reunirá conteúdos multimídia que conectam a história cultural do Estado com a produção contemporânea, disponíveis para pesquisa e fruição pública a partir de julho, devendo contemplar mais de 100 mil pessoas.
Projetos
O Banrisul Cultural integrará a campanha O RS diz não à violência contra a mulher e o feminicídio, da Central Única das Favelas (CUFA). Com atuação em periferias e comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, a ação prevê mais de 300 atividades em todo o Estado, a partir de maio, além da criação de uma rede de atendimento com 14 unidades regionais, impactando mais de 100 mil pessoas. Também estão previstas atividades de educação financeira, qualificação profissional e incentivo à empregabilidade.
Na frente de preservação e acesso à cultura, o projeto Bibliotecas Banrisul, desenvolvido com o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRGS), já está em execução e contempla a revitalização de 35 bibliotecas gaúchas. O projeto inclui restauração, modernização, acessibilidade, aquisição de mobiliário e acervo, além de ações de capacitação de pessoas.
Outro projeto realizado pelo instituto é o Fala Sério!, que circulará pela comunidade escolar pública e privada com conteúdos claros e objetivos sobre temas como direitos e protagonismo feminino, cuidado de si e saúde reprodutiva, disponibilizados em uma plataforma online. Depois, premiará alunos e professores por iniciativas desenvolvidas, a partir dos conteúdos do repositório, que gerem ações significativas nas comunidades em que estão inseridos. O projeto, que contemplará mais de 845 mil pessoas, será lançado no dia 8 de setembro, por ocasião de um evento com a presença de Malala Yousafzai. A ativista paquistanesa, que se tornou a pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz por conta do seu engajamento para garantir o direito à educação a crianças e mulheres, estará em Porto Alegre em uma realização conjunta entre Banrisul Cultural e Instituto Unimed/RS.
Editais
Além dos programas e projetos anunciados, o instituto prepara um prêmio voltado a organizações sociais e outro edital voltado à classe artística. Os editais serão lançados no primeiro e no segundo semestre, respectivamente.
Quem faz o Banrisul Cultural
Presidente do Banrisul, Fernando Lemos também é presidente do Banrisul Cultural. Para liderar o processo de estruturação e implantação do instituto, ele convidou Beatriz Araujo, ex-secretária de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, com trajetória reconhecida na gestão pública e no setor cultural. Com ampla experiência em políticas culturais, fomento, patrimônio histórico e articulação com instituições públicas e privadas, Beatriz Araujo responde pela direção-geral do Banrisul Cultural. Atuam diretamente com ela o diretor de programas e projetos sociais Benhur Bortolotto, a diretora de programas e projetos culturais Gabriela Munhoz e o diretor administrativo e financeiro Ismael Dapont.
A sede do instituto
A sede do Banrisul Cultural será no Centro Histórico de Porto Alegre, com previsão de funcionamento a partir do segundo semestre deste ano. Enquanto isso, a equipe do instituto atua no quarto andar do prédio do Banrisul, na rua Caldas Júnior. Quando concluída, a sede funcionará como base administrativa do instituto, e não como um centro de eventos, já que a proposta do Banrisul Cultural é atuar de forma descentralizada, ocupando diferentes localidades do Rio Grande do Sul e levando seus programas e projetos diretamente às comunidades, especialmente àquelas com menor acesso às iniciativas culturais.