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Agosto Verde reforça cuidados na primeira infância

79% das crianças de 2 a 4 anos consumiram alimentos ultraprocessados

19/08/2026 Redação Fonte: Usina de Notícias Compartilhar:
Agosto Verde reforça cuidados na primeira infância
Foto: Divulgação

A primeira infância é uma das fases mais importantes para o desenvolvimento humano. Os primeiros seis anos de vida são marcados pelo amadurecimento do cérebro, aquisição de movimentos e desenvolvimento da capacidade de aprendizado. É também nesse período que hábitos e comportamentos começam a ser construídos, incluindo a relação com a alimentação.

Instituído pela Lei nº 14.617/2023, o Agosto Verde chama atenção justamente para a importância de políticas e cuidados voltados à primeira infância. Entre eles, a alimentação tem papel fundamental, já que os nutrientes recebidos nos primeiros anos ajudam a sustentar o crescimento, o desenvolvimento cerebral e o funcionamento do sistema imunológico.

Os números mais recentes ajudam a dimensionar o desafio de garantir uma alimentação adequada na primeira infância. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) referentes a 2024 apontam que 79% das crianças de 2 a 4 anos acompanhadas pelo sistema consumiram alimentos ultraprocessados. Já o acompanhamento nutricional realizado pelo SUS mostra que, em 2025, 5,7% das crianças menores de cinco anos acompanhadas apresentavam obesidade, enquanto 1,8% apresentavam magreza acentuada. 

Para a nutricionista Julia Valmorbida, docente do curso de Nutrição da Estácio, a alimentação nessa fase pode influenciar a saúde da criança por muitos anos. "Este período, juntamente com a gestação, representa um momento de plasticidade biológica única, em que ocorre o desenvolvimento acelerado do cérebro, do sistema imunológico e a maturação de órgãos vitais. Desta forma, o que a criança consome nesse período tem o potencial de moldar o seu metabolismo e sua saúde a longo prazo", explica.

A especialista destaca que a introdução alimentar, a partir dos seis meses, deve priorizar alimentos in natura e minimamente processados, com variedade de cores, texturas e grupos alimentares. Também é importante evitar açúcar antes dos dois anos e oferecer água como principal opção para matar a sede. Mais do que nutrir, a variedade ajuda a criança a conhecer diferentes sabores e a construir o próprio paladar.

Outro cuidado é respeitar os sinais de fome e saciedade. Na chamada alimentação responsiva, os adultos definem o que, quando e onde a criança vai comer, mas ela deve ter espaço para perceber quanto deseja consumir. Forçar a criança a terminar o prato pode prejudicar essa percepção natural.

O ambiente das refeições também merece atenção. O uso de celulares, tablets e televisão pode fazer com que a criança coma de maneira distraída, sem perceber os sabores e os sinais de saciedade. Para Julia, fazer as refeições à mesa e, sempre que possível, em família, ajuda a transformar o momento em uma oportunidade de convivência e aprendizado.

A nutricionista também chama atenção para produtos com aparência de "infantis", mas que podem conter excesso de açúcar, aditivos e outros ingredientes pouco interessantes para essa fase. Ler a lista de ingredientes e priorizar alimentos preparados em casa são estratégias simples para evitar escolhas inadequadas.

Mesmo com uma rotina corrida ou orçamento limitado, segundo Julia, é possível manter uma alimentação nutritiva. Planejar as refeições, congelar porções de feijão e outras leguminosas e aproveitar os alimentos da estação são alternativas práticas. Arroz, feijão, ovos, frutas, verduras e legumes podem formar refeições completas sem a necessidade de produtos industrializados específicos para crianças.

"Não existe muito segredo, nem fórmula mágica. Aposte no planejamento com antecedência. Cozinhe leguminosas em grandes quantidades e congele em porções para consumo diário. Higienize folhas e legumes logo após a compra para que estejam prontos para o uso", orienta.

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