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Biomédico sugere hipótese para confusão em testes de coronavírus

Interpretação sobre exames aplicados pode ser uma das causas de exames contraditórios

13/04/2020 Niágara Braga Fonte: Usina de Notícias Compartilhar:
Biomédico sugere hipótese para confusão em testes de coronavírus
Foto: Divulgação

Algumas divergências em resultados de testes para o coronavírus já foram relatadas por diversas pessoas. Enquanto um primeiro exame negativaria, um segundo poderia positivar. Apesar de não haver consenso no meio acadêmico sobre o porquê dessa discordância entre os resultados, especialistas levantam algumas possibilidades. 

De acordo com o biomédico e professor da Estácio Matheus Becker, uma das razões que pode ocasionar a confusão é a má interpretação do tipo de exame realizado. Existem dois tipos de testes que podem ser feitos para identificar a presença do vírus:  o PCR (do inglês olymerase chain reaction), que analisa diretamente a presença do RNA do coronavírus no sangue; e o ELISA (enzyme linked immunosorbent assay) que verifica quais tipos de anticorpos estão presentes no organismo. 

Becker explica que nosso organismo produz diversos tipos de anticorpos, mas os do tipo G (IgG) e do tipo M (IgM) são os principais na detecção de doenças. Neste caso, o exame poderia apresentar duas possibilidades:

1 – Se identificasse a imunoglobulina do tipo IgM, indicaria que a pessoa está com o vírus ativo.

2 – Se identificasse a imunoglobulina do tipo IgG positiva somente, indicaria que a pessoa não tem mais o vírus. 

Para muitos casos com resultados contraditórios, o biomédico supõe que, o primeiro teste seja realizado pelo tipo PCR sem a identificação da presença do vírus, logo negativaria. Ainda nesta hipótese, o segundo exame seria do tipo ELISA e teria identificado a IgG positiva, logo apresentaria a imunoglobulina combatente ao vírus. Ou seja, identificou a presença do anticorpo responsável por combater a doença, porém, o vírus não se encontra mais no organismo. Em uma interpretação equivocada deste último exame, pode-se considerar que, por haver a imunoglobulina no sangue, também há o vírus. Essa confusão pode ser uma das causas das divergências nos exames, afirma o especialista. 

“Essa seria apenas uma das possibilidades dessa confusão. Porém, não podemos generalizar e também não podemos negligenciar que existem, sim, alguns testes que apresentam resultados falsos. Acredito que neste momento não devemos criar mais ansiedade sobre o assunto, mas sim, explicar de forma científica o que acontece para proporcionar transparência e tranquilidade à população”, defende o professor.

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