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Não é o momento de baixarmos a guarda

Opinião: Presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Aflredo Floro Cantalice Neto

21/04/2020 Marcelo Matusiak Fonte: PlayPress Compartilhar:
Não é o momento de baixarmos a guarda
Foto: Divulgação

 A pandemia de COVID-19 entra em uma nova e perigosa etapa, na qual começa a haver uma diminuição das medidas restritivas de distanciamento social. Desde o início da pandemia, alertamos para a extrema importância do processo de restrição de circulação de pessoas sendo esta, ao nosso ver, a única medida plausível diante de um país no qual não há uma estrutura adequada no sistema de saúde suficiente para atender a todos os necessitados. Temos a consciência de que essa não é a saída desejável, mas a única possível, diante da triste realidade que nos foi imposta com a disseminação dessa assustadora doença.

É absolutamente compreensível o apelo de empresas e trabalhadores pela retomada de suas atividades, pois vivemos a angústia da recessão econômica, aumento do desemprego e perda do poder aquisitivo. Ao mesmo tempo, cabe a nós, como entidade representativa médica, alertarmos que nesse momento é indispensável que haja uma vigilância e cuidado extremo com a saúde, sob o risco de colocarmos fora tudo que foi construído até aqui.

Acreditamos que devam ser consideradas as condições de cada estado e município, uma vez que há enormes diferenças seja pelo índice populacional ou pela capacidade de estruturar hospitais e emergências para atendimento aos pacientes com COVID-19. No entanto, em todos os casos, a guarda não deve ser baixada, ou seja, é indispensável que sejam evitadas aglomerações, que sejam seguidos os cuidados com o distanciamento e que sejam fornecidos EPI's em quantidade adequada e em perfeitas condições de uso para todos para profissionais de saúde e para aqueles que precisam fazer com que a nossa economia não pare. Reiteramos o apelo para todos aqueles que podem, que fiquem em suas casas.

Cabe destacar neste momento no qual estamos vivendo, um período de transição no órgão máximo que dita os rumos do controle da pandemia, o Ministério da Saúde. Avaliamos como altamente eficazes as medidas até então adotadas pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandeta. Se o cenário não está pior até agora, deve-se muito a manutenção do isolamento horizontal e ao distanciamento de pessoas que vêm sendo adotado. É fundamental que possamos deixar de lado qualquer viés político sobre o assunto, pois a vida de todos está em primeiro lugar e, como médicos, lutaremos até o fim para que possamos sair da melhor forma possível dessa situação.

Presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Aflredo Floro Cantalice Neto

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