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8 a cada 10 pacientes internados com COVID-19 apresentam dificuldade para engolir

Resultados preliminares são de estudo conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento e HCor e reforçam importância de iniciar reabilitação antes da alta hospitalar

24/03/2021 Melina Fernandes Fonte: Moinhos / Critério Compartilhar:
8 a cada 10 pacientes internados com COVID-19 apresentam dificuldade para engolir
Foto: , mas reabilitação com fonoaudiólogos deve iniciar antes da alta hospitalar. Divulgação HMV

Dados preliminares de um estudo conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, e pelo HCor, de São Paulo, apontam que 88% dos pacientes internados com diagnóstico positivo de Covid-19 apresentam quadros de disfagia em algum grau, variando de leve a grave. 

A disfagia é uma alteração no processo de deglutição, caracterizadas pela dificuldade para engolir alimentos, líquidos ou saliva, em qualquer etapa do trajeto da boca ao estômago. Sua ocorrência pode levar à desnutrição, desidratação, repercussão pulmonar, além de interferir na qualidade de vida desses pacientes. 

Os participantes são pacientes internados em ambas as instituições ao longo de 2020. Os dados foram coletados inicialmente por meio da consulta do prontuário clínico de cada paciente e, posteriormente, com questionamentos ao próprio indivíduo ou familiar responsável, seguida de avaliação fonoaudiológica.

Os primeiros resultados envolvem 129 pacientes, com média de idade de 72 anos, sendo 54% do sexo masculino. Dentre os participantes, 59% precisou de intubação orotraqueal para o tratamento e 11% foram submetidos à traqueostomia devido à gravidade da doença. “A disfagia nos pacientes com infecção pelo vírus não está ligada somente aos casos de intubação prolongada, mas, sim, a casos de alterações respiratórias importantes mesmo sem intubação”, explica José Ribamar do Nascimento Junior, coordenador do setor de Fonoaudiologia do HCor e pesquisador responsável do estudo.

Entre os participantes, 40% tinham doenças cardíacas de base, 38% doenças neurológicas prévias e 7% apresentavam antecedentes de doenças pulmonares. Os pacientes com maior  tempo de intubação apresentaram maior a gravidade da disfagia. A presença de comorbidades também aumentou a piora do quadro disfágico. 

Reabilitação e alta

A liderança do serviço de Fonoaudiologia do Hospital Moinhos de Vento, Camila Ceron, que coordenou a pesquisa em Porto Alegre, ressalta a importância da detecção precoce da disfagia, ainda durante a internação hospitalar. “A avaliação e atuação fonoaudiológica são essenciais para identificar a disfagia e iniciar a reabilitação, visando minimizar sequelas, reduzir risco de pneumonias aspirativas, diminuir tempo de internação nas unidades, bem como o tempo de internação hospitalar, garantindo boas práticas de segurança ao paciente e permitindo assim melhores condições de desfecho clínico e qualidade de vida”, ressalta Camila.

Para Nascimento, com a mudança no perfil dos internados nos serviços de saúde em 2021 é necessário que as equipes estejam preparadas para dar assistência a esse tipo de sequela. “Temos visto muitos jovens que ficam hospitalizados por um período maior, devido a quadros mais graves de Covid-19. Por isso, a incidência de disfagia pode apresentar alta prevalência, demandando preparo da equipe também no cuidado desse quadro”, comenta.

Sobre a disfagia

Caracterizada pela dificuldade para engolir alimentos, líquidos ou saliva em qualquer etapa do trajeto da boca ao estômago, a disfagia pode ser comum em idosos e pacientes acometidos por tumores de cabeça e pescoço, Acidente Vascular Cerebral, cardiopatias e alguns tipos de doenças neurológicas - como Doença de Parkinson e Alzheimer.

A dificuldade com frequência é acompanhada de engasgos e, algumas vezes, regurgitação de líquidos pelas cavidades do nariz. Há possibilidade de aspiração dos líquidos e alimentos, que podem acarretar desenvolvimento de pneumonias e, até mesmo, levar ao óbito.

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