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Saúde Geral

Varíola dos macacos pode levar à cegueira

Brasil já tem caso de conjuntivite relacionado à doença

14/09/2022 Carmen Carlet Fonte: Assessoria de Imprensa Compartilhar:
Varíola dos macacos pode levar à cegueira
Foto: Dr. Cesar Silveira - Divulgação

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) confirmou que o Rio Grande do Sul entrou na rota da transmissão comunitária da monkeypox – nome oficial da varíola dos macacos. Este novo surto, conforme especialistas, é um perigo à saúde ocular, principalmente de crianças, imunossuprimidos e gestantes. A comunidade científica que vem estudando os casos desde que a doença surgiu na África, já elenca nove alterações oculares. No Brasil, o primeiro caso de conjuntivite decorrente da varíola dos macacos foi diagnosticado em São Paulo.

A mais frequente é o aumento dos gânglios linfáticos perioculares, que ocorre em 75% dos casos. Na sequência vêm a Blefarite e a Conjuntivite (30%); Formação de vesículas na órbita e ao redor dos olhos (25%); Fotofobia ou aversão à luz (22,5%); Lesão foco conjuntival (17%); Ceratite (3,6% a 7,5%); Úlcera na córnea (4%). Segundo César Silveira, professor da Ulbra e médico oftalmologista, a mais preocupante das consequências, no entanto, é a perda da visão. Estudo realizado no Zire com 338 pacientes - diz que a cegueira pode ocorrer em 10% das contaminações primárias e 5% das secundárias. Silveira explica que os danos oculares podem acontecer por conta do toque na lesão corporal e o ato de levar as mãos aos olhos, sem higienizar. “Isto é mais frequente do que se imagina, pois quando a ferida começa a secar, manifesta coceira e, muitas vezes a pessoa esquece de lavar as mãos”, observa o oftalmologista.

Transmissão

O contágio pode ocorrer através de contato com utensílios e roupas utilizados por um doente ou pelo contato com secreção das lesões de pele, saliva ou gotículas das vias respiratórias. Basta tocar um desses elementos, levar a mão ao olho e a contaminação do globo ocular acontece. “Por isso, é muito importante a higienização”, enfatiza Silveira.

Sintomas

Muitas vezes os primeiros sinais da varíola dos macacos se confundem com os da gripe: febre, dor no corpo desânimo, dor de cabeça. Em até cinco dias após esses sintomas, surgem manchas vermelhas na pele chamadas (rash cutâneo) que provocam coceira. As manchas se transformam em vesículas cheias de líquido viscoso que contém o vírus, e evoluem para pústulas com pus que secam e formam uma crosta. Para os olhos, a segurança só ocorre após a eliminação de todas as crostas. Silveira aconselha que todo paciente com suspeita de varíola dos macacos consulte um oftalmologista, a fim de não incorrer em riscos de automedicação e piorar um possível quadro clínico. Um colírio com corticoide, por exemplo, pode aumentar a resistência do vírus, afinar a córnea e provocar perfuração. O tratamento vai variar de acordo com a avaliação do profissional.

Dicas que podem ajudar na prevenção de contaminação dos olhos, em caso de varíola dos macacos:

  • Consultar um oftalmologista;
  • Lavar as mãos com frequência;
  • Evitar coçar os olhos;
  • Uso de máscara nos contatos mais próximos com outras pessoas;
  • Evitar uso de colírios sem orientação médica. 
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