Quem não aparecer para a IA vai desaparecer do e-commerce
Convencer algoritmos já não basta para ter sucesso no e-commerce
Por muito tempo, a lógica do e-commerce foi relativamente simples. Quem aparecia bem nos mecanismos de busca conquistava mais visitas, gerava mais cliques e, consequentemente, mais vendas. Mas essa dinâmica está mudando rapidamente. A ascensão das inteligências artificiais (IAs) generativas está criando uma nova camada entre consumidores e marcas. Agora, antes mesmo de acessar um site, muitos usuários perguntam ao ChatGPT, Gemini, Perplexity ou aos AI Overviews do Google qual produto comprar, quais opções são mais confiáveis ou qual apresenta o melhor custo-benefício.
Na prática, isso significa que o cliente pode tomar sua decisão sem sequer visitar uma loja virtual. Essa mudança exige que empresas repensem uma das áreas mais negligenciadas do e-commerce: a qualidade das informações dos produtos.
O crescimento das buscas com IA
O Google revelou que já registra mais de cinco trilhões de pesquisas por ano. Além disso, afirma que, nos mercados em que os AI Overviews foram lançados, as consultas que exibem esse recurso cresceram mais de 10%, além de ampliar o volume de pesquisas comerciais. Ou seja, consumidores estão pesquisando mais nesse tipo específico de busca, mas de uma forma completamente diferente da que faziam há poucos anos.
Em paralelo, a presença da IA nas pesquisas relacionadas a produtos cresce rapidamente. Um levantamento da Visibility Labs, publicado em março deste ano, mostrou que os AI Overviews passaram a aparecer em 14% das buscas com intenção de compra. O crescimento é de 5,6 vezes em relação aos 2,1% de novembro de 2025. A tendência é clara: cada vez mais, as respostas geradas por inteligência artificial influenciarão as decisões de compra antes de o clique acontecer.
Convencer algoritmos já não basta para ter sucesso no e-commerce
Durante duas décadas, as estratégias digitais foram construídas para convencer algoritmos de busca a posicionarem páginas entre os primeiros resultados. Agora, além disso, é preciso convencer modelos de IA de que sua marca possui informações suficientemente estruturadas e confiáveis para serem utilizadas como fonte de resposta. Isso muda completamente o papel do catálogo de produtos.
Assim, descrições genéricas, títulos incompletos, ausência de especificações técnicas ou imagens mal identificadas deixam de ser apenas um problema de experiência do usuário. Eles se tornam um problema de visibilidade.
Por que o contexto é tudo para a IA
É preciso lembrar que as inteligências artificiais trabalham com contexto. Portanto, quanto mais estruturadas estiverem as informações sobre um produto no e-commerce, maiores as chances de elas compreenderem exatamente o que ele oferece. E isso pode favorecer sua presença em recomendações.
Vou dar um exemplo: não basta mais informar que um notebook possui “16 GB de memória”. É preciso especificar geração do processador, autonomia da bateria, aplicações indicadas, diferenciais competitivos, dimensões, compatibilidade e demais atributos que permitam à IA entender para qual perfil de consumidor aquele produto faz sentido.
O cadastro de produtos como estratégia
Tradicionalmente, muitas empresas enxergavam o cadastro de produtos como uma atividade operacional no e-commerce. Hoje, ele passa a ser uma ferramenta estratégica de aquisição de clientes. Pois cada campo corretamente preenchido amplia a capacidade de mecanismos inteligentes compreenderem o produto. E isso tende a contribuir para que ele apareça com mais frequência em respostas geradas por IA.
O próprio Google já anunciou novos relatórios no Merchant Center para medir a presença das marcas em experiências de compra baseadas em IA. Eles incluem indicadores como participação nas respostas, termos pesquisados pelos consumidores e atributos de produtos que precisam ser complementados. Ainda com disponibilidade limitada, esses relatórios já sinalizam para onde a plataforma está caminhando. Além disso, demonstram que a qualidade dos dados deixou de ser apenas um requisito operacional para se tornar um diferencial competitivo.
A governança de dados entra em cena
Essa transformação também reforça a importância da governança de dados dentro do e-commerce. Agora, não basta possuir milhares de produtos cadastrados. É necessário que as informações estejam consistentes entre ERP, PIM, marketplace, site, CRM e plataformas de mídia.
Quando diferentes sistemas apresentam descrições divergentes ou atributos conflitantes, a IA passa a lidar com sinais inconsistentes. E isso pode comprometer a confiabilidade da informação utilizada para avaliar e recomendar aquele produto. Na economia das recomendações inteligentes, a consistência dos dados passa a ser tão relevante quanto um preço competitivo.
O fim da busca como lista de links
Um fato é inegável: estamos entrando em uma fase em que consumidores deixarão de pesquisar apenas “melhor smartphone até R$2 mil” para perguntar “qual celular oferece a melhor câmera para quem viaja muito e grava vídeos durante a noite?”.
A resposta dificilmente será uma lista de links. Na verdade, será uma recomendação construída pela IA com base nas informações disponíveis sobre cada produto.
Por fim, reforço que continuar tratando o catálogo como uma obrigação burocrática corre o risco de simplesmente desaparecer das novas vitrines digitais. Porque, na era da inteligência artificial, ser encontrado começa muito antes da visita ao site.
* Texto de Gabriel Carezzato, COO e COO e cofundador da Tech Rocket
Fonte: E-commerce Brasil
Visibilidade garantida com os padrões da GS1 Brasil
Os padrões adotados pela GS1 Brasil são fundamentais para garantir que os produtos sejam identificados de forma única, padronizada e confiável no ambiente digital.
Em um cenário de e-commerce e marketplaces, em que milhares de produtos são cadastrados, comparados e pesquisados diariamente, utilizar identificadores padronizados, como os códigos GTIN, facilita o reconhecimento dos itens por plataformas, sistemas e consumidores. Isso reduz inconsistências de cadastro, duplicidades e erros de identificação, contribuindo para uma apresentação mais organizada e confiável dos produtos.
Além da identificação, a padronização das informações melhora a integração entre fabricantes, distribuidores, varejistas, marketplaces e demais parceiros da cadeia comercial. Quando os dados seguem padrões reconhecidos, os produtos têm maior facilidade para serem associados corretamente a catálogos, buscas e sistemas de diferentes plataformas. Na prática, isso ajuda a preservar a qualidade das informações — como descrição, marca, características e identificação do produto — e cria uma base mais consistente para que os itens sejam encontrados e apresentados de maneira adequada nos canais digitais.
Por isso, seguir os padrões da GS1 Brasil vai além de uma questão operacional: é uma forma de preparar o catálogo de produtos para as exigências do comércio digital. Uma identificação correta e informações estruturadas aumentam a qualidade do cadastro e favorecem a distribuição consistente dos produtos nos diferentes canais de venda. Em um ambiente em que a visibilidade depende cada vez mais da qualidade dos dados e da capacidade dos sistemas de localizar e reconhecer corretamente cada item, a padronização se torna um elemento importante para uma estratégia eficiente de presença em e-commerce e marketplaces.